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Casa Oté: um novo modelo de fortalecimento para OSCs

20.03.2026 | Categoria: Empreendedorismo, OSCs

Em Nova Lima (MG), um espaço vem se consolidando como referência em colaboração e impacto social. A Casa Oté é um espaço colaborativo, dedicado ao fortalecimento de organizações sociais do Jardim Canadá e região. 

A iniciativa promove ações conjuntas voltadas à construção de uma rede comprometida com o impacto positivo e o desenvolvimento territorial, incentivando o protagonismo local e o senso de pertencimento para a construção de um impacto social duradouro.

Diferente de projetos prontos, o propósito da rede, o espaço e o conteúdo de desenvolvimento das organizações que fazem parte da Casa Oté foram desenhados de forma colaborativa, a partir das necessidades reais das organizações.

Vamos conhecer mais sobre a Casa Oté e saber por que ela representa um novo jeito de pensar o investimento social?

O que significa Casa Oté?

O nome já diz muito sobre a essência do projeto. “Oté” significa árvore, na língua do povo indígena Xacriabá. Além de ser um símbolo de crescimento, a árvore representa algo ainda mais profundo, que são suas raízes.

A Casa Oté se inspira na ideia de uma floresta, um sistema vivo, onde diferentes elementos se conectam, se fortalecem e crescem juntos. Nesse modelo, o impacto não está em uma única organização isolada, mas na rede que se forma entre elas.

É essa lógica que guia toda a atuação da Casa Oté: fortalecer conexões para gerar impacto coletivo.

Uma parceria de três pilares

A Casa Oté é resultado da colaboração entre três atores principais, cada um com um papel complementar:

  • Vale: responsável pela infraestrutura e pelo suporte financeiro, garantindo a base necessária para o funcionamento do espaço
  • Impact Hub: responsável pela gestão, metodologia e programação, trazendo expertise em impacto social
  • Organizações da sociedade civil: protagonistas do espaço, que trazem o conhecimento do território e das realidades locais

Esse modelo vai além da lógica tradicional de investimento social. Em vez de apenas financiar projetos, a proposta é construir capacidade, autonomia e sustentabilidade no longo prazo.

O que acontece na prática dentro da Casa Oté?

As organizações participantes do projeto têm acesso a uma programação estruturada que inclui capacitações, mentorias e conexões estratégicas. Tudo isso parte do princípio que cada organização é única.

Por isso, o trabalho começa com um diagnóstico individual, que permite identificar desafios e oportunidades específicas. A partir daí, são desenvolvidas ações sob medida, como:

  • mentorias personalizadas
  • workshops temáticos
  • formações em gestão e captação de recursos

Além disso, o próprio espaço funciona como uma ferramenta de profissionalização. Ter acesso a um ambiente estruturado para reuniões, eventos e articulações fortalece a credibilidade das organizações e amplia suas possibilidades de atuação.

Fortalecer a gestão, ampliar o impacto

A atuação da Casa Oté está orientada por três grandes frentes de fortalecimento das OSCs:

1. Melhoria da gestão
Apoio na organização de processos, uso de ferramentas, gestão financeira, desenvolvimento pessoal e estruturação do dia a dia das organizações.

2. Elaboração de projetos
Desenvolvimento de competências para acessar editais e oportunidades de financiamento, com mais qualidade técnica e estratégia.

3. Captação de recursos
Diversificação das fontes de receita, incluindo campanhas, parcerias e modelos sustentáveis de geração de renda. O objetivo é tornar as organizações mais preparadas, estruturadas e independentes.

Um espaço aberto para o território

Embora conte com um grupo de organizações residentes, a Casa Oté não se propõe a ser um espaço fechado.

A programação também inclui atividades abertas à comunidade, ampliando o acesso ao conhecimento e fortalecendo o vínculo com o território. Isso garante que o impacto vá além das organizações diretamente apoiadas, alcançando um ecossistema mais amplo.

O Comitê Social do Jardim Canadá

A atuação da Casa Oté também se conecta diretamente com uma iniciativa fundamental para o território, o Comitê Social da Regional Noroeste.

Criado em 2021, o Comitê surgiu em um momento em que não existia um espaço estruturado de articulação entre as organizações locais. A proposta, idealizada pela Vale, foi criar um fórum de diálogo que reunisse diferentes atores do território como lideranças comunitárias, escolas públicas, serviços públicos, organizações sociais e empresas.

Desde então, o Comitê se consolidou como um espaço de troca, escuta e construção coletiva, com foco no desenvolvimento comunitário.

Sua atuação se baseia em quatro pilares principais:

  • Fortalecer vínculos comunitários, promovendo conexão, pertencimento e identidade coletiva;
  • Potencializar iniciativas locais, estimulando a troca de saberes, recursos e experiências;
  • Otimizar recursos e ações, evitando sobreposição de esforços e incentivando sinergias;
  • Incidir em políticas públicas, atuando de forma articulada na defesa de direitos e na proposição de soluções.

Nesse contexto, a Casa Oté exerce um papel estratégico de ser responsável pela gestão executiva do Comitê. Na prática, isso significa apoiar o funcionamento contínuo dessa rede, fortalecendo as conexões e garantindo que o diálogo se traduza em ação. 

Crescer como uma floresta

A metáfora da árvore ajuda a entender, mas é na ideia de floresta que está o verdadeiro potencial da Casa Oté.

Quando as organizações se conectam, compartilham aprendizados e se apoiam mutuamente, o impacto deixa de ser individual e passa a ser coletivo.

A Casa Oté se consolida, assim, como um espaço onde raízes se encontram, trocam e se fortalecem, criando um ecossistema mais resiliente, sustentável e preparado para o futuro.

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